
Mais 13 mil votos, mais 4 deputados, uma distância de escassos 300 votos da maioria absoluta, uma resistência de assinalar numa campanha altamente desgastante que o teve como figura central, por razões que nem sempre se relacionaram com o debate político-partidário puro e duro, eis o que aconteceu com Miguel Albuquerque numa campanha eleitoral exigente, desgastante, que se diferenciou positivamente das anteriores sobretudo pela aposta pouco usual nos social-democratas em plataformas digitais com grande projecção e impacto. Albuquerque utilizou vídeos filmados nos próprios locais das obras, de curta duração, dando conta de obras em curso, em conclusão ou previstas caso os social-democratas tivessem responsabilidades governativas, assumindo deste modo compromissos fortes com os eleitores nos diferentes concelhos da Madeira e nalgumas freguesias. A oposição cometeu o seu primeiro erro ao usar as plataformas digitais, diga-se que sem grande projecção e impacto, com discursos agrestes e valorizando a tendenciosa e manipuladora antecipação de cenários que não passaram do imaginário especulativo por motivos relacionados com a desenfreada caçada do voto
Eleitores votaram na estabilidade governativa
Claramente os eleitores madeirenses não votaram em processos pendentes na justiça, porque sabem quem tem competência para se pronunciar e decidir o que fazer, como fazer e fazê-lo com base em quê, o que nada tem a ver com julgamentos populares na praça pública alimentados por partidos por meros interesses partidários ditados por imposições de natureza eleitoralista. Tudo a cargo de gente sem nível, sem princípios e sem escrúpulos. Chegamos ao ponto de ouvir ex-arguidos e potenciais futuros arguidos a apontar o dedo acusador a Miguel Albuquerque, repito, oficialmente não acusado de nada pela justiça, a quem compete decidir sobre esta temática.
Os eleitores votaram na estabilidade e só por uma unha negra falharam a maioria absoluta. Os eleitores estão fartos de instabilidade e de verem partidos brincarem com eleições, tendo por isso dado uma lição a começar pela afluência às urnas que surpreendeu muitas aves agoirentas. Penalizaram o Chega, principal mentor da moção de censura, mas hoje a braços com escândalos de malas roubadas em aeroportos, pedofilia, violência doméstica, falências fraudulentas, dívidas de empresas por pagar, etc.
E agora?
Agora o PSD-Madeira tem que criar condições para governar com estabilidade para um horizonte de 4 anos de Legislatura. Se não o fizesse estaria a trair a confiança que os eleitores lhe deram no passado domingo. Miguel Albuquerque também deve ter percebido, por tudo o que se passou nos últimos meses, que nada pode continuar como antes, que não pode querer pensar que não aconteceu nada, que há factos que precisam ser neutralizados, quando há oportunidade para isso, para que a governação não caia de novo numa instabilidade, que a ocorrer seria fatal para o PSD-Madeira e o seu líder. Pessoalmente acho que há lições e avisos que não serão desvalorizados. Não podem ser desvalorizados. Sabendo que a coligação com o CDS será por apenas um deputado e que, em política, as lideranças dos partidos nem sempre primam pela estabilidade.
Depois de domingo, e caso seja anunciado, como tudo indica que sim, um novo entendimento PSD-CDS, seja ele qual for, tenha ele os contornos que tiver, há uma previsibilidade, caso tudo corra com normalidade, de cumprimento de uma legislatura regional de quatro anos. Mas há mais.
Os resultados obtidos pelo PSD-Madeira este ano, surpreendentes pela dimensão do apoio obtido nas urnas, neutraliza também qualquer instabilidade interna no partido que acredito esteja condenada ao fracasso. Uma coisa era um PSD-Madeira, fragilizado nas urnas, refém de um ambiente de instabilidade interna e sem garantia de maioria absoluta e estabilidade governativa, outra coisa é um PSD-Madeira a um mandato da maioria absoluta e com disponibilidade para garantir uma Legislatura regional de 4 anos por via de um entendimento com o seu parceiro privilegiado e natural, o CDS.
Os mais 13 mil votos alcançados e os 23 deputados, inviabilizam potenciais e hipotéticos sinais de instabilidade interna salvo se algo de anormal ocorrer. Sucede que eu não acredito em anormalidades por encomenda, colmo deseja a oposição, alguma dela a braços ainda com a incerteza de processos que permanecem sem evolução nas gavetas da Procuradoria-Geral. Significa isto que Miguel Albuquerque, líder de uma coligação governativa com horizonte de estabilidade para 4 anos, deverá voltar a candidatar-se ao PSD-Madeira no próximo Congresso Regional laranja, não fazendo sentido, em ambiente de normalidade governativa, alimentar instabilidade partidária interna que, neste contexto, estaria condenada ao fracasso. Porque penosa, fragilizadora, divisionista e desnecessária.
MA a preparar sucessão?
Não me admira nada que Miguel Albuquerque, depois de garantida a solução governativa e parlamentar, aposte também em preparar o PSD-Madeira para uma sucessão, a ter lugar, se tudo correr bem em termos de Legislatura regional (2025-2029), em final de 2028 ou início de 2029. Admito que estas possam ter sido as últimas regionais para Miguel Albuquerque que nos últimos anos, sobretudo depois de Janeiro de 2024, tem estado sujeita a uma enorme pressão e desgaste. Não me repugna nada acreditar que a sua prioridade seja o futuro do PSD regional, repito, se tudo se mantiver, como admito, normal e a legislatura de 4 anos for cumprida.
Gostei da entrevista que Albuquerque concedeu à SIC-Notícias, que ajudou a clarificar a sua imagem sobretudo no espaço mediático nacional, já que em termos regionais - ressalvando alguns sinais de manipulação entre comentadores de algumas televisões - os cidadãos, pela forma como se expressaram domingo nas urnas, já sabem o que está realmente em causa e quem tem o poder de decisão, caso cheguemos a esse ponto. Repito, caso cheguemos a esse ponto. A justiça não funciona com base em encomendas só porque interessam aos partidos políticos, nem muito menos deve promover julgamentos na praça pública alimentando deliberadas fugas ao segredo de justiça ou deixando sem resposta vagas noticiosas inventadas mas direcionadas e seleccionadas em termos de timing de divulgação. Eu sei como estas coisas funcionam, fiquem descansados.
Redes sociais (veja aqui)
Tal como já referi, acho que a oposição se "esqueceu" de algo importante nesta campanha eleitoral do PSD-Madeira, concretamente a campanha de Miguel Albuquerque nas redes sociais, com recurso a pequenos vídeos colocados em várias plataformas, quase sempre filmados nos locais próprios e anunciando obras em conclusão, em curso ou programadas, caso o PSD assumisse responsabilidades governativas. Uma resposta que o líder do Governo Regional assumiu ser a sua resposta ao "falatório" da oposição. Desconheço quem teve a ideia mas acho brilhante a sua execução, porque foi impactante e permitiu que a candidatura de Albuquerque marcasse presença num espaço digital onde não era muito frequente vermos o que esta campanha agora propiciou. Gostem ou não que se diga, é um facto que a vitória do PSD-Madeira e de Miguel Albuquerque, com mais de 62 mil votos, constituiu uma surpresa mas também um sinal dos eleitores, o sinal de imposição de estabilidade política e governativa regional a uma Região farta de irresponsabilidades, demagogia, aventureirismos partidários, etc.
Novo Governo
Obviamente que a competência para a formação do novo Governo Regional, depois das negociações que garantam ao partido mais votado e ao seu líder, a necessária maioria absoluta, é da exclusiva competência de Miguel Albuquerque, grande e inequívoco vencedor das eleições regionais - mais 13 mil votos e mais 4 deputados que em 2024! Contudo, e realçando o meu estatuto de "outsider" de tudo o que se passa no PSD-Madeira, do qual sou apenas militante com quotas pagas, acredito que Miguel Albuquerque não vai arriscar e vai reflectir muito, vai aconselhar-se com o seu núcleo duro, vai recolher opiniões, vai querer ter a percepção de determinadas decisões que terão que ser tomadas, de escolhas que devem ser feitas e que não se podem confundir com relacções pessoais ou de amizade, tudo para tornar o futuro executivo menos fragilizado e menos exposto que o antecedente. Acredito que uma remodelação governamental, se for essa a opção natural de Albuquerque, poderá porventura pode ser maior do que a imaginada. Mas a opção será sempre determinada pela evolução de acontecimentos recentes, pelo seu impacto desgastante e pela necessidade de, aos olhos da opinião pública e em defesa da imagem política e pessoal do Presidente do Governo, ser mantida uma lisura e uma imagem de liderança que não dê margem a polémicas, especulações, dúvidas que seriam demasiado desgastantes. E passíveis de gerar muita desconfiança e provocar instabilidade política (LFM)